A relação da comunicação social com Santana Lopes faz lembrar a relação da madrasta cavernícola e autoritária com o enteado – depois de o sovar, quando o miúdo se apresta num vago queixume, grita-lhe: e se choras apanhas mais! Não há nada a fazer – primeiro sovam-no em todos os tons e sons; depois quando ele menciona os agravos, é sovado por “se estar a vitimizar”. Vem isto a propósito de uma jornalista do Público, Eunice Lourenço, que eu já citei mais que uma vez (aqui e aqui), pelas suas notícias absolutamente destituídas de rigor e ética, ter escrito ontem (em co-autoria com a colega Helena Pereira) um artigo em que afirmava peremptoriamente que “Cavaco aposta na maioria absoluta de Sócrates”.
É uma notícia escrita de uma forma absolutamente perversa, pois pela sua leitura se verifica que aquela afirmação, e outras de teor idêntico nela insertas, não provêm directamente de Cavaco, mas de alegadas “fontes próximas”. Aquela notícia foi imediatamente desmentida.
Hoje o Público traz, das mesmas autoras, uma notícia intitulada “Ex-primeiro Ministro Incomodado com Notícia do PÚBLICO”, onde as autoras sugerem que aquele desmentido apenas indiciava que Cavaco estaria incomodado. Ou seja, não era a primeira notícia daquelas jornalistas que era uma mentira, o mentiroso seria agora Cavaco que mentia (desmentindo) por estar incomodado ...
Agora o ex-primeiro-ministro enviou uma declaração à Lusa onde afirmou: "Ontem, dia de Carnaval, fui surpreendido com uma notícia no jornal PÚBLICO intitulada 'Cavaco Silva aposta em maioria absoluta do PS'. A notícia não tem qualquer fundamento". "Trata-se de uma total invenção da parte de quem a escreveu. Não fiz qualquer declaração ou comentário sobre o processo eleitoral em curso. Embora ausente de Lisboa, tive oportunidade de transmitir o meu protesto ao director do PÚBLICO".
Curiosamente esta informação aparece no Público on-line sob a epígrafe de “Cavaco Silva recusa envolver-se em manobras eleitorais” e nem está sequer assinada. Provavelmente a intenção será a de insinuar que se trata de mais uma mentira de Cavaco Silva para evitar “envolver-se em manobras eleitorais”. Conclusão, não vale a pena desmentir, pois a notícia continua lá, incólume, indiferente aos factos.
É óbvio que este jornalismo sórdido não é produzido às escondidas da Direcção do Público. Ele terá que ter a conivência dessa Direcção, ou pelo menos de parte dela. Um jornal como o Público pode errar uma vez, pois é natural que um chefe confie nas suas colaboradoras e não vá verificar a seriedade das notícias. Todavia é um indício terrível que publique os sucessivos desmentidos a esse erro metamorfoseados em “mentiras piedosas”. É o indício que é o próprio jornal que não é isento; é o indício que a falta de ética e a sordidez jornalística daquelas plumitivas têm a cobertura da Direcção do jornal.
Não vou discutir quais as intenções destas “notícias”. Santana Lopes está impedido de se queixar – qualquer queixa dele não passa de vitimização. Cavaco Silva está impedido de desmentir – qualquer desmentido dele é apenas mais uma mentira para disfarçar o seu “incómodo”. Não há pois nada a fazer quando a nossa comunicação social cria um “facto político”. Mesmo que não exista ... é um “facto político”!
Para mim, é justamente esse o “incómodo”: a fabricação pela nossa comunicação social e, mais grave, por um órgão de referência dessa mesma comunicação, de um “facto político” e a sustentação desse “facto político” para além de todos os desmentidos.
Chegámos ao Vale-Tudo.
Publicado por Joana em fevereiro 9, 2005 07:58 PM | TrackBackJoana:
"...a fabricação pela nossa comunicação social e, mais grave, por um órgão de referência dessa mesma comunicação, de um “facto político”...."
Ora, nem mais... Pobre País, como dizia o outro.
O mais pobre neste País, como se vê, é esta imprensa 'de referência'.
Pobre País, digo eu também..
Então Joana a campanha eleitoral neste fim de semana com ponte, correu-lhe bem ?
Depois de uma leitura atenta desta "tonelada de palavras" faço os meus cumentários, por agora e só.
Afixado por: Gato Fedorento em fevereiro 9, 2005 07:25 PMJornalismo especulativo:
«Cavaco aposta na maioria absoluta de Sócrates»
«O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva aposta numa maioria absoluta do PS nas legislativas de dia 20 e considera que esse é o melhor cenário para o lançamento da sua candidatuta à Presidência da República. Cavaco está mesmo convencido de que esse cenário se vai concretizar e tem manifestado essa opinião em reuniões sociais em que tem participado e nas quais se tem encontrado com figuras do PSD, sobretudo críticos da actual liderança de Pedro Santana Lopes.»
(artigo publicado no jornal "Público" - versão integral)
Atente-se que Cavaco Silva não é referido como fonte de informação em nenhum momento do referido artigo. De facto, não existe qualquer tipo de discurso directo atribuído ao antigo primeiro-ministro, nem sequer se citam as habituais fontes próximas da personalidade em questão. Ou seja, o jornalismo meramente especulativo na sua máxima expressão.
Afixado por: xatoo em fevereiro 9, 2005 07:29 PMInacreditável... E que dirá a isto a administração do "Público"? Não verá que o descrédito do jornal está a ser fabricado pela respectiva direcção e por pseudo-jornalistas como a Eunice Lourenço? Que espera para dar a vassourada que se impõe?
Afixado por: Duarte em fevereiro 9, 2005 10:18 PMSão todos coniventes!
Afixado por: David em fevereiro 9, 2005 10:45 PM... eu proporia a fusão formal da AACS, da CNE e do TC para a consolidação das amplas liberdades em curso ...
Afixado por: asdrubal em fevereiro 9, 2005 11:15 PMEstas coisas acontecem com frequência no Público. É um jornal cheio de "jornalistas de causas".
Afixado por: Hector em fevereiro 9, 2005 11:20 PMJá tinhamos "as facadas nas costas" "os pontapés na incubadora" e agora temos "a madrasta que sova o rapaz".
Arranjem mais que nós gostamos.
Afixado por: Gato Fedorento em fevereiro 9, 2005 11:28 PMxatoo: os meus cumprimentos e parabéns. E obrigada pela visita
Afixado por: joana em fevereiro 10, 2005 12:06 AME não me parece que o Público se retrate. O Público é um saco de gatos onde há de tudo. Há os honestos, há os facciosos e há as facciosas aldrabonas.
Afixado por: Joana em fevereiro 10, 2005 12:08 AMEu também acho que o Público vai ignorar as críticas e esperar que a malta esqueça
Afixado por: Hector em fevereiro 10, 2005 12:11 AMSerá espantoso se o Público ignorar esta chuva de contestação.
Afixado por: Romeu em fevereiro 10, 2005 12:23 AMNa verdade o ódio da comunicação social e dos politicamente correctos ao PSL é tão grande e tão diversificados, que há imensas comparações possíveis.
E há os imbecis que não as percebem.
Vítimas e Jornal Público
Num destes dias a Dona Joana, aproveitou um artigo de uma tal Graça sem graça nenhuma, a propósito do aborto, e o artigo era tão do agrado dela, que até disse:
O artigo que eu gostava de ter escrito !!!
Está no seu direito de reconhecer que a dita autora e jornalista do Público, comunga suas ideias e como tal nessa altura esqueceu-se de tecer as críticas que agora apresenta neste blog, sobre o mesmo jornal, os mesmos redactores e o mesmo Director.
Vá-se lá perceber estas críticas agora..alguém percebe ?
Bem sei que não vai entender, que eu por exemplo me senti insultado por essa Graça, e no entanto não me vitimizei, e limitei-me a chamá-la de burguesinha que ganha muito bem, para ter os filhos bem educadinhos etc e tal, e no entanto ela ofendeu e humilhou milhares de portuguesas que são obrigadas a abortar em condições inhumanas muitas vezes correndo risco de vida.
Pois fique sabendo e para que fique registado, foi bem pior esse artigo sobre o aborto do que esta brincadeira de canarval !
Afixado por: Templario em fevereiro 10, 2005 02:53 AMÉ preciso perceber que os jornais são órgãos económicos como outros quaisquer, e que os jornalistas almoçam e jantam como alguns dos portugueses.
Querer ver nesta classe de profissionais os paladinos da verdade suprema e os cavaleiros sem mácula que se bateriam pela Verdade é crer no Pai Natal.
Fazem pela vidinha
Pois, mas podiam fazer de uma forma menos repelente
Afixado por: David em fevereiro 10, 2005 09:59 AMÉ um nojo, o Público. Ainda por cima convencidos que são a elite
Afixado por: Diana em fevereiro 10, 2005 10:29 AME aqueles gajos não têm emenda. Basta ler a declaração deles de hoje
Afixado por: VSousa em fevereiro 10, 2005 11:23 AMJoana, o que é certo é que o Prof mandou tirar a sua imagem dos cartazes do PPD!
E isso é prova descontentamento, e de que o homem não se quer envolver nas "traquinices" do PSL.
O resto é folclore, como aquela de se culpar a CC pelas "facadas"...e não os amigalhaços, que foi quem lhas deram!
Cá pra mim a notícia teve origem na contra-informação laranja, arranjou um bom tabú (Cavaco é sempre um...) para destrair as atenções do essencial.
Os jornalistas são de facto a elite. Aliás, representam várias elites: As dos mentirosos, dos propagandistas, dos incultos, dos sem escrúpulos, dos hipócritas, dos des-memoriados...
Afixado por: Mário em fevereiro 10, 2005 04:02 PMTem razão Mário, essas duas notícias eram um nojo. E a desculpa do Público também foi de mau pagador, mas isso discute-se posts mais acima!
Afixado por: Sa Chico em fevereiro 11, 2005 01:02 AM